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Empresas familiares do transporte aceleram profissionalização e fortalecem agenda ESG para sustentar crescimento no longo prazo

Fonte: Assessoria de Imprensa – (10/06/2026)

Dados mostram que menos de 30% das empresas familiares chegam à segunda geração, enquanto mercado pressiona por gestão mais estruturada

As empresas familiares seguem dominando o ambiente corporativo brasileiro e representam cerca de 90% dos negócios do país, sendo responsáveis por mais da metade dos empregos formais. Apesar da relevância econômica, poucas conseguem atravessar processos sucessórios de forma estruturada. Dados do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) apontam que menos de 30% das empresas familiares chegam à segunda geração e menos de 10% alcançam a terceira. Um dos principais fatores está justamente na dificuldade de adaptação às novas exigências de mercado.

Ao mesmo tempo, cresce a pressão para que as empresas incorporem temas ligados à governança, sustentabilidade e inovação às suas estratégias de negócio. Segundo levantamento da Amcham Brasil e do Pacto Global da ONU, 76% das empresas brasileiras já incluíram sustentabilidade em suas estratégias corporativas, enquanto 71% aplicam práticas ESG em suas operações. No transporte rodoviário de cargas, responsável por cerca de 65% da movimentação logística nacional, essa mudança começa a ganhar impacto direto na competitividade, no relacionamento com clientes e no acesso a novas oportunidades de mercado.

É dentro desse cenário que empresas familiares do setor vêm acelerando processos de profissionalização e reorganização estratégica. A TransJordano, empresa com mais de 27 anos de atuação no transporte rodoviário de cargas, anunciou recentemente a criação da diretoria de ESG e Relações Institucionais, assumida por Joyce Bessa, executiva que atua há mais de duas décadas na companhia.

Segundo Joyce, a mudança reflete uma evolução na forma como o setor passou a enxergar temas ligados à sustentabilidade, governança e posicionamento institucional. “Hoje, o transporte é muito mais complexo do que era há alguns anos. A operação continua sendo essencial, mas já não é suficiente sozinha. Tecnologia, sustentabilidade, governança, segurança, gestão de pessoas, inovação e posicionamento institucional passaram a fazer parte das decisões estratégicas do negócio”, afirma.

Na avaliação da executiva, o próprio mercado passou a exigir uma postura mais estruturada das transportadoras. Grandes embarcadores, investidores e parceiros comerciais começaram a considerar fatores como responsabilidade ambiental, gestão de riscos, compliance e desenvolvimento humano na construção de relações comerciais e estratégicas. Nesse contexto, a agenda ESG passou a influenciar diretamente competitividade, acesso a oportunidades e capacidade de crescimento sustentável.

Um dos principais reflexos desse novo momento na TransJordano foi o anúncio do corredor verde da empresa, projeto viabilizado após aprovação de financiamento de R$ 140 milhões junto ao BNDES para aquisição de caminhões movidos a biometano e construção de infraestrutura de abastecimento. Para Joyce Bessa, o movimento simboliza uma mudança de mentalidade dentro do transporte. “O projeto enfatizou para nós como inovação, eficiência operacional e responsabilidade começam a caminhar juntas dentro da estratégia das empresas”, destaca.

Segundo a Bloomberg Intelligence, os investimentos globais em ativos alinhados a critérios ESG alcançaram aproximadamente US$ 53 trilhões até o fim de 2025, representando cerca de um terço de todos os ativos sob gestão profissional no mundo. Já no Brasil, levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 60% das indústrias brasileiras já adotam práticas ligadas à economia circular, reforçando que a sustentabilidade vem deixando de ser tendência para se consolidar como elemento estrutural da estratégia corporativa.

Para Joyce, esse processo também exige uma mudança cultural dentro das próprias empresas familiares. “Existe uma tendência natural de associar legado à preservação absoluta de modelos que funcionaram durante muitos anos. Mas preservar um legado significa garantir que a empresa continue relevante, preparada e competitiva diante das transformações do mercado”, explica.

A executiva avalia que o transporte continuará passando por mudanças profundas nos próximos anos, impulsionado pelo avanço tecnológico, pelas demandas ambientais e pela necessidade crescente de eficiência operacional. “Queremos participar ativamente dessa evolução sem perder a essência que sempre fez parte da nossa história. No final, empresas sustentáveis continuarão sendo feitas por pessoas, lideradas por pessoas e sustentadas por cultura”, conclui Joyce Bessa.