El Niño: SP prepara rodovias para enfrentar chuvas extremas; veja as obras previstas

Contratos de concessão incluem contenção de encostas, sistemas de drenagem e medidas de prevenção a deslizamentos; intervenções estão previstas em estradas de diferentes regiões do estado
O Governo de São Paulo prevê obras de contenção de encostas, melhorias nos sistemas de drenagem e monitoramento de chuvas em rodovias estaduais para reduzir os riscos provocados por eventos climáticos extremos, como o super El Niño previsto para o próximo ano.
As medidas fazem parte dos contratos de concessão estruturados na atual gestão e incluem intervenções em estradas da Grande São Paulo, do litoral e do interior paulista.
Segundo o governo estadual, os serviços buscam diminuir a vulnerabilidade das rodovias a chuvas intensas, erosões e deslizamentos, além de ampliar a segurança dos motoristas. As ações incluem estabilização de taludes — superfícies inclinadas de terrenos ou encostas —, recuperação de sistemas de drenagem e acompanhamento dos volumes de precipitação.
A preparação ocorre diante da possibilidade de episódios de chuva intensa, vendavais e temperaturas elevadas no estado. O governo cita informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) como referência para o planejamento das medidas preventivas e das operações nas rodovias.
Entre os projetos estão obras em andamento na Rodovia Mogi-Dutra (SP-088), intervenções na Mogi-Bertioga (SP-098) e ações de monitoramento no trecho norte do Rodoanel Mário Covas. Também estão previstas medidas de prevenção a incêndios e erosões em rodovias do interior.
Mogi-Dutra terá obra de estabilização de encosta
Uma das principais intervenções ocorre no km 46 da Rodovia Pedro Eroles (SP-088), conhecida como Mogi-Dutra, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
A obra foi planejada após a identificação de um processo erosivo associado às chuvas e envolve serviços de terraplenagem, contenção e drenagem para recuperar a estabilidade da encosta.Segundo o governo estadual, a intervenção prevê 17 mil metros de perfuração em solo e rocha e a instalação de mais de 20 toneladas de tela metálica, com conclusão prevista para novembro de 2026.
Outra obra de estabilização de encosta ocorre na Rodovia Dom Paulo Rolim Loureiro (SP-098), conhecida como Mogi-Bertioga, que liga a região do Alto Tietê ao litoral paulista.
Na mesma estrada, foram instalados pluviômetros em pontos estratégicos da serra. Os equipamentos medem a quantidade de chuva e permitem acompanhar situações que podem exigir medidas operacionais de segurança.
As duas rodovias também contam com bases definitivas do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), destinadas ao atendimento de emergências e à orientação dos motoristas.
Rodoanel Norte tem monitoramento de riscos climáticos
No trecho norte do Rodoanel Mário Covas, o acompanhamento das condições climáticas integra o planejamento das obras e da futura operação da rodovia.
De acordo com o governo estadual, o empreendimento está com 73% das obras executadas e possui 13 frentes de trabalho simultâneas.
As equipes atuam em serviços de pavimentação, construção de túneis, implantação de barreiras, contenções e intervenções em taludes.
O monitoramento segue as diretrizes do Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR), que considera informações meteorológicas e características da infraestrutura para identificar áreas que exigem acompanhamento.
Entre os elementos analisados estão sistemas de drenagem, pontes, viadutos, encostas, cobertura vegetal e Áreas de Preservação Permanente (APPs).
No segmento já entregue, entre as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias, as operações também seguem um Plano de Atendimento às Emergências (PAE), que identifica pontos de atenção e orienta a resposta das equipes em situações de risco.
Obras no interior incluem investimento de R$ 7 milhões em contenção
Na região de Sorocaba, o governo informou que concluiu uma obra de contenção e estabilização de encosta no km 167 da Rodovia Tenente Celestino Américo (SP-079), na Serra de Tapiraí.
A intervenção foi realizada após a identificação de um processo erosivo de grande porte em um trecho utilizado na ligação entre o interior e o litoral sul paulista.A obra recebeu investimento de aproximadamente R$ 7 milhões e incluiu uma estrutura de contenção de 48 metros de extensão, além da reconstrução de cerca de 160 metros de pavimento.
Os serviços também envolveram a implantação de sistemas de drenagem, recuperação da pista, instalação de dispositivos de segurança viária e recomposição das áreas afetadas pela intervenção.
Segundo o governo, a obra restabeleceu as condições operacionais do trecho.
Estudo identifica riscos de incêndios e erosões na Raposo Tavares
No Lote Paranapanema, que reúne mais de 280 quilômetros de rodovias entre Itapetininga e Ourinhos, foi elaborado um relatório de monitoramento de riscos climáticos.
O levantamento abrange trechos da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), da SP-278 e da SP-189 e identifica áreas suscetíveis a incêndios, erosões, inundações e escorregamentos.
Segundo o diagnóstico apresentado pelo governo, dois riscos possuem tendências climáticas mais definidas: incêndios, com indicação de agravamento, e erosões, associadas à maior concentração das chuvas em determinados períodos.
O estudo apontou que as áreas suscetíveis a incêndios ocupam a maior extensão territorial entre os riscos mapeados no corredor rodoviário.
Como medida preventiva, o governo prevê a instalação de caixas d’água nas novas bases do Serviço de Atendimento ao Usuário, que estão em construção.
Os reservatórios serão utilizados no abastecimento das unidades e poderão apoiar as equipes em ações de combate a incêndios.
Castello Branco e Raposo Tavares passam por serviços de drenagem
Na Rodovia Castello Branco, entre os quilômetros 13 e 54, os serviços de conservação incluem limpeza, manutenção e adequações nos sistemas de drenagem.
Também estão previstos trabalhos de manutenção de defensas metálicas, iluminação, sinalização e juntas de dilatação de pontes e viadutos.
Ações semelhantes são realizadas na Rodovia Raposo Tavares, entre os quilômetros 10 e 34, e na Rodovia Coronel PM Nelson Tranchesi (SP-029).
Nesses trechos, as equipes também executam sondagens e levantamentos topográficos para identificar condições do terreno e orientar possíveis intervenções preventivas.
Outra obra que incorpora medidas de drenagem é a duplicação da Rodovia Lívio Tagliassachi (SPA-053/280), entre Araçariguama e São Roque.
O projeto prevê 8,5 quilômetros de duplicação, com investimento de R$ 174 milhões, e inclui estruturas de pavimentação e drenagem projetadas para reduzir o acúmulo de água na pista.
Rodovia na região de Piracicaba prevê interdição após chuva de 80 milímetros
Na Rodovia Geraldo de Barros (SP-304), no trecho de serra entre Torrinha e Santa Maria da Serra, foi implantado um sistema de monitoramento de chuvas para orientar medidas preventivas contra deslizamentos.Segundo o governo estadual, o tráfego no trecho de serra é interditado preventivamente quando o volume de chuva ultrapassa 80 milímetros, devido ao risco de deslizamentos.
O sistema permite acompanhar os volumes de precipitação e adotar restrições de circulação em situações consideradas de risco.
As intervenções fazem parte da estratégia anunciada pelo governo paulista para adaptar a infraestrutura rodoviária aos impactos de eventos climáticos extremos.
Fonte: Exame / Foto: Banco de Imagens – Canva