Torre de Babel prende 94 e faz buscas na Câmara de Uberlândia

Operação do Ministério Público de Minas e da Polícia Militar mira grupos de 'Macho' e 'Mão Branca', apontados como cabeças de esquema de roubo de caminhões, receptação de cargas e milícias e cita vereadores da cidade do Triângulo Mineiro.

 

Foto: Google Street View

 

O Ministério Público de Minas deflagrou nesta quinta, 10, a Operação Torre de Babel para desarticular três organizações criminosas – um grupo que roubava caminhões e cargas, uma quadrilha especializada na receptação de cargas e carretas e uma milícia. Ao todo, 100 pessoas são investigadas, informou a Promotoria. O grupo sob suspeita contava com a participação de agentes públicos. A força-tarefa fez buscas na Câmara de Uberlândia. São citados na investigação os vereadores Juliano Modesto (SD) e Alexandre Nogueira (PSD).

Modesto teria intimidado uma testemunha que denunciou fraudes na cooperativa de transporte de passageiros e cargas da cidade do Triângulo Mineiro. Nogueira teria ligação com o grupo.

Agentes cumpriram 94 mandados de prisão preventiva e 65 de busca e apreensão em Minas, nos municípios de Uberlândia, Uberaba e Monte Carmelo e, ainda, em Itumbiara (GO).

Dos investigados que são alvo de ordens de prisão, 25 já se encontravam recolhidos em unidades prisionais de Uberlândia, Patrocínio (MG) e Itumbiara (GO).
Segundo a Procuradoria, dez policiais militares, quatro policiais civis e três advogados são investigados pela ‘Torre de Babel’.

 

Foto: Pixabay

 

Parte das buscas tem como alvo dois vereadores de Uberlândia, que, segundo o Ministério Público de Minas, estão ‘envolvidos em infrações relacionadas à mílicia investigada’.

Os agentes cumpriram mandados nos gabinetes dos parlamentares.

Participam da operação três promotores de Justiça, cerca de 350 policiais militares de Minas, cinco policiais civis de Minas e doze PMs de Goiás.

Milícia

A milícia investigada pela Operação Torre de Babel tinha como líder o policial militar Leandro Machado de Araújo, informou o Ministério Público de Minas.

Segundo a Promotoria, o grupo praticava crimes por encomenda, incluindo homicídios, extorsões, ameaças, obstrução de justiça, roubos com utilização de informações privilegiadas, entre outros.

O Ministério Público de Minas indicou que, entre os crimes cometidos pela milícia de Araújo estão o assassinato do agiota Reginaldo Carvalho Fonseca, em agosto de 2012, e um incêndio criminoso praticado na Clínica Vital Saúde, em abril de 2018.

A Promotoria diz ainda que a organização obstruiu a Justiça, em junho de 2017, ao intimidar um motorista de van escolar que havia denunciado crimes de dirigentes de cooperativas.

Segundo a Promotoria de Minas, as entidades exploravam o serviço de transporte escolar em Uberlândia.

Roubo de Carga

O Ministério Público destacou que a quadrilha que roubava caminhões e cargas tinha como base as cidades de Uberlândia e Itumbiara e era liderada por Domingos Lopes de Araújo Neto, o ‘Macho’, preso em junho, na Operação Irmãos Metralha.

O consórcio liderado por ‘Macho’ praticou dezenas de crimes de roubo de caminhões e cargas no Triângulo Mineiro e na região sul do estado de Goiás, além de homicídios, corrupção ativa, falsificação de documento público e lavagem de dinheiro, informou a Promotoria.

Receptação

De acordo com o Ministério Público de Minas, Anderson Modesto Cunha, o ‘Mão Branca’, era o chefe da segunda quadrilha investigada pela Operação Torre de Babel, realizando receptação de cargas e carretas. A ação é desdobramento da Operação Dominó, deflagrada em dezembro de 2018.

Além da receptação, o grupo de ‘Mão Branca’ também trabalhava com desmanche de veículos roubados, destacou a Promotoria. As peças eram utilizadas na reformas de carretas.

COM A PALAVRA, JULIANO MODESTO

A reportagem entrou em contato com o gabinete. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, ALEXANDRE NOGUEIRA

A reportagem entrou em contato com o gabinete. O espaço está aberto para manifestação.

 

FONTE ECONOMIA ESTADÃO