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Reforma tributária muda cenário do transporte de cargas

Reforma tributária muda cenário do transporte de cargas

por  | abr 1, 2026 | NotíciasOutros

Fonte: CATVE.com – (30/03/2026)

Divulgação

Chapéu: REFORMA TRIBUTÁRIA

Setor teme aumento de custos e impacto direto no bolso do consumidor

A reforma tributária em andamento no Brasil já acende um alerta no setor de transporte de cargas. Em meio a preocupações com o preço do combustível, do frete e até reflexos de conflitos internacionais, como a guerra no Oriente Médio, empresários e especialistas também voltam a atenção para a nova forma de cobrança de impostos.

A proposta, aprovada por emenda constitucional, prevê a simplificação do sistema tributário com a substituição de cinco tributos – PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS – por dois novos: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

O período de transição começou em 2026 e segue até 2033. Até lá, empresas terão que lidar com o modelo antigo e o novo simultaneamente.

Os impactos devem atingir diretamente o transporte de cargas, principalmente os profissionais terceirizados, conhecidos como agregados.

Segundo o especialista em direito tributário Rafael Brito, há preocupação com o aumento da carga tributária no setor.

“Quem trabalha com agenciamento de cargas deve ter aumento de impostos, porque lida com pequenos transportadores, que geram menos crédito tributário. Além disso, haverá maior exigência de conformidade fiscal, o que deve pesar a partir de 2027”, explica.

Outro ponto de atenção é a tributação sobre insumos essenciais, como combustível e mão de obra, o que pode encarecer o serviço e refletir no preço final ao consumidor.

A reforma também prevê mudanças na forma de arrecadação, como o chamado “split payment”, sistema em que o imposto é automaticamente separado no momento do pagamento e enviado ao governo.

“Esse modelo deve avançar inclusive para pessoas físicas. Em compras do dia a dia, parte do valor pago já será direcionada diretamente ao governo”, detalha o especialista.

O setor já enfrenta dificuldades com outras medidas, como o piso mínimo do frete e o aumento da fiscalização.

“Com a alta do diesel e o cenário internacional, o transporte vive um momento delicado. A intensificação da fiscalização do piso mínimo de frete também tem gerado impactos no mercado”, acrescenta Rafael.

Para contadores, outro desafio é a falta de informação. Segundo Diego Paim, grande parte dos empresários ainda não compreende os efeitos da reforma.

“Em um levantamento apresentado no fórum da FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), cerca de 70% dos empresários disseram não conhecer os impactos da reforma nos próprios negócios. Isso preocupa, principalmente porque os efeitos começam a aparecer já agora e devem se intensificar nos próximos anos”, afirma.

Apesar da proposta de simplificação, especialistas avaliam que não há redução da carga tributária.

“Houve mudança na forma de cobrança, mas não vemos diminuição de impostos. A tendência é de aumento na arrecadação ao longo do tempo”, conclui o contador.