Reforma sindical é debate fora de hora, afirma presidente da CUT

Para novo comandante da maior central do país, fim da política de valorização do mínimo será um “desastre”.

 

Sérgio Nobre, novo presidente da CUT: fim da política de valorização do salário mínimo será um desastre — Foto: Silvia Zamboni/Valor

 

Novo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o metalúrgico Sérgio Nobre assume o comando da maior central sindical do país no que talvez seja o momento mais difícil para o sindicalismo brasileiro desde a redemocratização. Com 12,6 milhões de desempregados, informalidade e automação crescentes, perda de receitas com a reforma trabalhista e na iminência de uma reforma sindical tocada por um governo avesso às organizações de trabalhadores, devem ser muitos os desafios de uma gestão que começa neste mês e vai até 2023.

Eleito por aclamação em pleito de chapa única realizado no Congresso Nacional da CUT, na semana passada, Nobre enfrenta o primeiro desses desafios já nesta tarde. Participa, ao lado de lideranças de UGT, Força Sindical, CTB, NCST e CSB, de reunião com o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho. Na pauta, a proposta de mudança da estrutura sindical em elaboração pelo governo, da qual pouco se sabe oficialmente, mas que parece caminhar rumo ao modelo americano, de até um sindicato por empresa.

 

 

Reforma sindical - “Vamos ver o que eles vão apresentar. Estou muito pessimista”, diz Nobre, que concedeu ao Valor sua primeira entrevista no cargo. O sindicalista relata que foram criados pelo governo quatro grupos de trabalho com os temas “revisão de normas trabalhistas”, “segurança jurídica”, “economia e trabalho” e “liberdade sindical”. 

Ele afirma que o conteúdo desses grupos é desconhecido do movimento sindical, mas tem algumas hipóteses: novas reduções de direitos trabalhistas, maior restrição no acesso à Justiça do Trabalho, a chamada carteira de trabalho verde e amarela e um pluralismo sindical que fragilizaria as entidades, em vez de fortalecê-las.

“Nossa posição é que essa não é a agenda do país. Claro que, se o governo apresentar uma proposta de reforma sindical, as centrais e a CUT têm que se posicionar. Mas é um debate fora de hora”, avalia. 

 

FONTE VALOR GLOBO