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Fim da escala 6×1 é “tiro na testa” do setor logístico, diz Braspress

Fonte: CNN Brasil – (22/03/2026)

Tayguara Helou afirma que mudança na jornada é “humanamente impossível” de operar em rotas longas e critica falta de planejamento

O fim da escala 6×1 representa um “tiro na testa” para o setor logístico brasileiro, afirmou o CEO da Braspress, Tayguara Helou, em entrevista ao programa Hot Market. O executivo destacou que a proposta de redução da jornada de trabalho enfrenta obstáculos operacionais severos devido à natureza da atividade de transporte no país.

“Nossa atividade é externa: ocorre nas ruas, avenidas, estradas e centros rurais. Como você faz para trocar o motorista em uma estrada?”, questionou Helou.

Segundo o executivo, a logística é uma engrenagem vital para a economia e qualquer fragilização no setor impacta diretamente o desenvolvimento do Brasil.

Para o CEO, a adaptação à nova realidade, caso o projeto seja aprovado como está, é inviável em termos práticos de revezamento.

“É difícil cumprir com a jornada de trabalho; é humanamente impossível. Não há como trocar o motorista quando ele está a uma distância maior do ponto de onde saiu”, explicou.

Setor de transportes alerta para alta nos custos

O CEO ressaltou que, embora grandes companhias possuam infraestrutura para mitigar adversidades – como a Braspress, que mantém cinco centros de distribuição apenas na Grande São Paulo para otimizar as rotas –, a maioria das empresas do setor não possui a mesma capilaridade para realizar trocas de turno em trânsito.

Gargalos e planejamento 

Além da discussão trabalhista, Helou apontou que o setor já opera sob pressão devido ao custo do óleo diesel e à falta de uma visão de Estado para a infraestrutura.

“No Brasil, mudamos tudo a cada quatro anos, mas em logística você precisa de um olhar e um planejamento muito maiores”, afirmou. 

O executivo defende que o país precisa de um plano logístico de longo prazo, que suporte taxas de crescimento mais altas.

“Não adianta querer crescer se a logística brasileira não aguenta”, concluiu.