Deputados de SP debatem tarifas de Trump na economia paulista
Comissão de Relações Internacionais da Casa reuniu-se com representantes da indústria
A Comissão de Relações Internacionais da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo realizou, ontem, um seminário com o objetivo de discutir os impactos das tarifas recentemente impostas pelo governo dos EUA às exportações brasileiras. A reunião contou com a presença de representantes de diversos setores da indústria estadual, que relataram as peculiaridades de suas respectivas áreas de atuação e de quais formas as medidas do governo Donald Trump os atingiram.
“Essas medidas geraram muitas preocupações na economia paulista. Existem estimativas que apontam para perdas significativas nas balanças comerciais do estado devido a essas tarifas. Precisamos avaliar os impactos econômicos diretos e indiretos que estão ocorrendo, com foco nos setores de indústrias e agroindústrias”, afirmou o presidente da Comissão e proponente da reunião, deputado Paulo Fiorilo (PT).
“Ouvir representantes de setores estratégicos da economia nos ajudará a compreender os desafios enfrentados e as medidas a serem adotadas para mitigar os efeitos negativos. Além disso, como Legislativo, pretendemos construir leis de incentivo que favoreçam a exportação dos setores mais afetados”, acrescentou o parlamentar.
Também estiveram presentes na reunião os deputados Guilherme Cortez (Psol), Maurici (PT), André Bueno (PL) e Gil Diniz (PL).
O gerente de Relações Governamentais da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Pedro Henrique Macedo, explicou que as tarifas de exportação afetam várias etapas da produção de alumínio. “Nossos produtos estão presentes na geração de energia, nos bens de consumo, na construção civil e outros serviços essenciais. Já temos algumas medidas federais de apoio ao nosso setor, que são muito bem aplicadas aqui também. No entanto, as tarifas americanas pressionam bastante a indústria de alumínio”, disse ele.
“De janeiro para este mês de agosto, tivemos uma queda muito grande nas exportações, visto que, nesse período, as tarifas subiram de 10% para 50%. É uma disparidade muito grande e que impacta em toda a nossa cadeia de trabalho”, apontou Macedo.
Já o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, salientou a preocupação com a economia da região de Franca, maior polo de produção de calçados do estado. “A produção local será muito afetada pelas tarifas americanas. Aquele ponto é um polo enorme de produção e distribuição de calçados. Só no estado, temos mais de 30 mil postos de trabalho, e a grande maioria das exportações tem como destino os EUA, ou seja, o impacto é evidente”, pontuou.
O diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Eduardo Heron Santos, também participou dos debates e destacou a força da agricultura familiar no setor. “O setor de café é um dos maiores e mais tradicionais da indústria nacional e, um fator que não é falado o suficiente é que boa parte das produções ainda são provenientes de agricultura familiar. Apenas um contêiner de café engloba de 50 a 100 produtores, então dá para imaginar como o ‘tarifaço’ afeta a vida de muita gente”, explicou.
“Hoje, 34% do café importado nos EUA – o país que mais compra café no mundo – vem do Brasil. Nós defendemos a ideia de diálogo entre os governos, porque esse tipo de medida não é benéfica para nenhum dos lados, precisamos insistir na negociação diplomática o máximo possível”, sugeriu Santos.
Seguindo a mesma linha de pensamento, a secretária municipal de Relações Internacionais de São Paulo, Angela Gandra, disse acreditar que o diálogo entre todas as esferas de poder é um dos caminhos para mitigar os efeitos das tarifas no estado. “Não se trata apenas de uma crise econômica, é um problema político, jurídico e com consequências que se refletem na economia. O diálogo de cidade para cidade constrói, aos poucos, pontes entre os estados e países para que, enfim, todo o cenário seja compreendido e analisado antes de tomar decisões diretas. Não é algo simples no contexto geopolítico, e, mais do que nunca, a diplomacia se faz necessária em todas as esferas do nosso país”, afirmou.
Fonte: Monitor Mercantil / Foto: Agência Alesp