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BNDES planeja nova linha de crédito para reforçar setores estratégicos afetados por guerras

Ideia é criar uma segunda versão do plano Brasil Soberano, lançado em 2025 para apoiar empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA, agora com foco também em áreas com déficit comercial, como fertilizantes

BNDES quer criar uma segunda versão do plano Brasil Soberano, lançado em agosto do ano passado, para ajudar empresas que haviam sido impactadas pela tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros. A ideia agora é incluir setores com déficit comercial e estratégicos para a economia. Aloizio Mercadante, presidente do banco, citou o segmento de fertilizantes e as guerras da Ucrânia e do Irã, dois dos principais produtores globais.

Ao participar da coletiva de imprensa para detalhar os resultados financeiros de 2025 do Banco, Mercadante disse que o Brasil Soberano entregou R$ 16 bilhões de crédito direcionado para as empresas mais atingidas pelo tarifaço.

— Nossa avaliação é que nós precisamos de um Brasil Soberano 2. Há empresas que ainda estão com tarifas acima de 15%, que é a tarifa mínima que os EUA impuseram a todos os parceiros comerciais. O problema é quando você tem uma tarifa superior a dos concorrentes. E alguns setores estão na Resolução 232, com tarifa de 50%, como o setor siderúrgico, de alumínio e cobre; e o setor automotivo, com autopeças, com tarifa de 25%.

Agora, na segunda versão, Mercadante lembrou que a ideia é ampliar o escopo do programa.

— É olhar também para outros setores estratégicos do Brasil. Um deles é o de fertilizantes. A guerra da Ucrânia mostrou que não podemos ter esse nível de exposição e precisamos ter mais capacidade de resposta nesse cenário turbulento que estamos atravessando. A guerra Rússia-Ucrânia atinge esse segmento e agora o Irã também, pois o Irã é um grande produtor de fertilizantes. Então, nossa visão é que o Brasil Soberano 2 deveria olhar para setores com déficit comercial e estratégicos para a resiliência da economia frente a esses cenários de guerra, instabilidade e crise, que talvez estejam mais prolongados do que era previsto inicialmente. Queremos acelerar os investimentos em fertilizantes para gerar capacidade de produção e substituir importações, dando mais resiliência à agricultura brasileira.

Fonte: O Globo / Foto: Divulgação